Ocasionalmente, nós designers temos que nos reunir com o cliente seja para fazer o briefing ou mostrar a solução final para o problema dele. Eis algumas dicas simples para estes momentos no qual o designer sai da toca para se encontrar com outro ser humano.
Seja breve
“Tempo é dinheiro” já dizia o poeta. Procure gastar o menos tempo possível com o cliente para o bem dele e o seu próprio. Não enrole ele com histórias sobre sua infância e tente sempre manter-se no tópico. Se ele der a possibilidade de fugir um pouco da conversa, tudo bem; isto é feito para gerar uma intimidade maior entre vocês dois. Caso o assunto seja demorado, informe seu cliente de antemão para que ele não tenha que interromper você no meio e continuar outro dia. Uma reunião ideal não passa muito de 30 minutos.
Tenha tudo em ordem
Antes de sair de sua toca para a reunião (seja ela feita no seu local de trabalho ou no local dele) verifique-se de que você tem tudo que você precisa: papel, caneta, esboços, contrato, etc. Faça uma lista de coisas que você precisa levar a todas suas reuniões e verifique-a antes de sair. Se for levar algo impresso, certifique-se de que o material está impresso mesmo e se a qualidade está aceitável – não há nada pior que chegar lá com um folder que você nem abriu e notar na hora que ele foi impresso incorretamente.
Vista-se de acordo
Nota-se como não falei “vista-se elegantemente”. Se for apresentar um logo novo para uma empresa que fabrica skates você não vai vestir terno e gravata, do mesmo jeito que não vai usar jeans rasgado e camiseta “v1d4 l0k4” para uma reunião com dono de uma multinacional. Encaixe-se com o estilo da empresa: isto vai dar a impressão de que você sabe se adaptar, que entende o ramo e que vai fazer um excelente trabalho.
Seja confiante
Se você sabe o que está fazendo, demonstre isto. Quando o cliente opinar em algo que você acredita que seria melhor fazer da sua maneira, não fale “Isto não vai dar certo”. Ofereça uma solução sem pisotear a sugestão do cliente; “Seria melhor utilizar uma cor mais escura pois o fundo será claro. Entendo que a identidade visual da sua empresa seja predominantemente amarela, mas fontes com esta cor ficaríam ilegíveis. O que podemos fazer é utilizar amarelo como fundo e uma letra mais escura – talvez um cinza – que tal?”. Pronto! Você demonstrou que entende do assunto e não ofendeu a sugestão do seu cliente.
Explique termos técnicos
Muitas vezes nós designers acabamos falando para nossos clientes que “utilizamos esta fonte pois o tracking permite uma legibilidade maior sem cansar a leitura”. Complemente com “isto quer dizer que o espaçamento entre as letras é ideal para um texto deste tamanho”. Explicando estas coisas, seu cliente não vai ficar perdido na conversa e perder o interesse pelo assunto.
Escolha um bom lugar
Não é raro seu cliente não ter um local apropriado para reuniões. E se você é um freelancer, provavelmente sua casa é seu escritório e trazer um cliente para uma casa toda desarrumada pode não ser muito legal. Então escolha algum lugar interessante para se reunir com ele. Pode ser em um restaurante, bar ou um café. Evite lugares muito barulhentos (por exemplo, com música ao vivo) e escolha algum lugar que seja a cara dele: bar para o dono de uma loja de skates, café para um empresário médio e um restaurante para um dono de multinacional, por exemplo. Ah, casas de strip estão fora de cogitação. A não ser que seu cliente seja dono do lugar e ele mesmo convidar.
Seja você mesmo
Esse é importante e é preciso tomar muito cuidado para não contradizer os outros pontos deste artigo. Sempre tente dar um toque pessoal a reunião. Frases do tipo “pessoalmente, esse foi o trabalho mais gratificante que já efetuei pois precisei fazer muita pesquisa para chegar a esta solução” ou simplesmente “gosto da sua empresa e sei que vou gostar de fazer este job pra você” traz um efeito pessoal imenso.
Dicas para apresentação de logotipos
O design de logotipos é um dos aspectos mais difíceis do design. É uma daquelas coisas que você acha difícil separar gosto pessoal de uma boa comunicação e criação de marca. Eis algumas regras que espero que encontrei que deviam ser seguidas quando você está trabalhando num logo novo. (Artigo revisado de uma versão antiga).
1. Não mostre ao cliente nenhum logo que você não ame
Esta é a regra mais importante. Muitos anos atrás eu tive essa idéia tola que eu mostraria esse “logo animal” junto com “esses dois outros logos toscos para fazer a minha preferida parecer ainda mais animal”. O problema é que o cliente quase sempre escolhe o logo tosco e daí você se ferra ao ter que usar ela. Nunca, nunca, nunca mostre ao cliente um logo que você não ame!
2. Mostre aos logos em preto e branco APENAS
Eu sempre explico ao cliente que trabalhamos nas cores do logo depois da logo final ser aprovada. O motivo é simples: você não quer dar algo a mais para ele se preocupar. O cliente vai passar um tempo ridicularmente longo apenas pensando no esquema de cores em vez de pensar no que realmente importa, nesse caso a imagem do logo. E também, com raras excessões, 70% dos clientes provavelmente irão trabalhar em preto e branco ou apenas uma cor, então o logo precisa ficar boa em preto e branco. E quando digo preto e branco, eu quero dizer preto e branco sem gradientes ou tons de cinza. Não estou dizendo que não se deve usar cores: apenas focar primeiro no logo e depois nas cores.
Logos em preto e branco – para ver se a identidade não se perde
3. Faça sempre seus logos em formato vetorial
Qualquer logo, até mesmo para um site de internet, precisa ser redimensionado para usos diferentes. Fazendo um logo no Photoshop deixa você sem uma base que pode ser utilizada mais tarde. Fazendo seu logo em um programa de desenho vetorial (Adobe Illustrator, Corel Draw, etc) também vai permitir que você “quebre” o logo e utilize os pedaços em outros aspectos do trabalho do seu cliente. E além do mais, você vai ter mais flexibilidade para utilizar o logo em diferentes mídias (outdoor, multimidia, etc) sem perder a qualidade, além de ser mais fácil de editar depois.
4. Vá direto ao topo
Nunca aceite um trabalho onde um comitê de 10 pessoas devem aprovar seu design. Você vai acabar levando um logo ótimo e tornando-o numa gigante poça de p@#$ em questão de horas ao tentar agradar as 10 pessoas. Descubra quem é o manda-chuva que vai tomar as decisões e trabalhe apenas com ele. Se não há um único manda-chuva, não aceite o trabalho. Você vai se agradecer mais tarde.
5. Tenha certeza que ele vai funcionar com tamanhos ridicularmente pequenos
Isso vai junto com a regra do preto e branco. Clientes vão querer usar aquele logo em diferentes coisas, inclusive imprimindo-os em canetas e afins. Esse logo precisa funcionar em um tamanho minúsculo! Você talvez até queira pensar em como que o logo vai ficar em um banner alto e magro, num banner quadrado e em um largo. Pergunte-se: é fácil de caber ele em qualquer ambiente?
6. Evite usar filtros, efeitos e outras piras.
Um logo é um gigante investimento para uma empresa. Criar um logo que segue a tendência ou que é cheio de firulas vai resultar em um logo ultrapassada e tosco no ano que vêm. Não estou dizendo para evitar totalmente, mas lembre-se que o logo não pode perder sua identidade se for impresso em um jornal, por exemplo. Para mídias digitais (TV e web), é normal haver versões com efeitos de luz e sombra. Mas a versão final não pode ter estes efeitos como essenciais.
7. Crie uma arte simples
Não tente fazer um design muito complexo. Não use mais de duas fontes e apenas uma imagem gráfica. Um logo que é complexo demais não serve para nada além de diluir a marca, além de deixar horrível em tamanhos pequenos.
O logo da Unilever é um exemplo disto. É bonito, mas difícil de ver em tamanhos menores
8. Produza filhos
Não nesse sentido! Quando você estiver com um design que você goste, veja se é possível usar apenas uma parte do logo. O logo da Coca-Cola é o exemplo perfeito: você pode usar o tipo como também pode utilizar o lacinho que as pessoas ainda vão saber que é a Coca-Cola, embora não esteja explícito. A Apple Computer é outro grande exemplo. A Apple parou de utilizar a palavra “Apple” junto com a logo anos atrás, mesmo assim você ainda sabe reconhecer qual é a empresa quando vê aquela maçã comida.
9. Conselho final: pense adiante
Não faça um logo que fique bom apenas em um pedaço branco de papel. Seu cliente provavelmente vai querer utilizá-lo em propagandas, comerciais de TV, outdoors e até quem sabe em um caminhão. Faça um logo que “funcione” com diferentes clientes finais. Verifique se o logo é balanceado. Ele fica bom se colocado no final de um propaganda impressa, sem importar se ele vai ficar a esquerda, centro ou a direita? Fica legal quando ele têm um endereço web debaixo dele? Fica visível em um fundo escuro? Fica bom em um caneco?
Claro que regras foram feitas para serem quebradas. Você é o designer, você dita as regras. Mas você precisa supor que o pior pode acontecer, olhar todas as possibilidades e ver o mundo com os olhos do cliente. Mesmo se você não terminar com um logo que mereça ser premiado, você pelo menos vai fazer seu cliente feliz e, com sorte, ter uma bom logo em mãos.
Por @canha